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02/07/2015 - Cuidar da nossa casa!

No dia de Pentecostes, 24 de maio, o Papa Francisco deu por concluída a Carta Encíclica “Laudato Si – sobre o cuidado da casa comum”. A data foi escolhida a dedo, para expressar o desejo do Papa de se empreender um grande diálogo em torno da preservação do meio ambiente. Assim como no primeiro pentecostes, quando o Espírito Santo propiciou às populações reunidas em Jerusalém a possibilidade de entenderem tudo o que os apóstolos falavam (At 2), é desejo do atual Papa ver as diversas religiões e ciências dialogarem entre si, “visando o cuidado da natureza, a defesa dos pobres e a construção de uma rede de respeito e de fraternidade”. Nas palavras de Francisco, “a gravidade da crise ecológica obriga-nos, a todos, a pensar no bem comum e a prosseguir pelo caminho do diálogo que requer paciência, ascese e generosidade, lembrando-nos sempre que a realidade é superior à idéia” (n.201).
Diferente do comum dos textos publicados pela Igreja, a encíclica Laudato Si não tem por destinatários apenas os membros da Igreja Católica. Na introdução, o Papa deixa claro que o seu desejo é “entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum”, razão pela qual endereça a carta “a todas as pessoas de boa vontade” (n. 03). Lança “um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta”, ciente de que “todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades” (n. 13 e 14).
Um dos aspectos admiráveis na encíclica, que também a diferencia de outros documentos oficiais da Igreja, é a forma humilde com que o Papa aborda o tema. No número 61, por exemplo, ele diz que “sobre muitas questões concretas, a Igreja não tem motivos para propor uma palavra definitiva e entende que deve escutar e promover o debate honesto entre os cientistas, respeitando a diversidade de opiniões”. Junto a isso, mesmo reconhecendo “que há uma grande deterioração da nossa casa comum”, o Papa não é catastrófico: “A esperança convida-nos a reconhecer sempre que há uma saída, sempre podemos mudar de rumo, sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas”. 
Outro aspecto a destacar na carta do Papa é a concepção de que “tudo está interligado”. “Não se pode propor uma relação com o meio ambiente, prescindindo da relação com as outras pessoas e com Deus (n.119). Por isso, “quando não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza” (n. 113).
Faço votos de que a encíclica de Francisco desperte as lideranças a uma ação mais eficaz na defesa do meio ambiente. E que todas as comunidades abracem a causa do cuidado da nossa casa comum, que é o mundo criado por Deus!

Dom Canísio Klaus
Bispo Diocesano 
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